A Web 2.0 é uma maneira nova de se fazer a Web. Apesar de desconhecida de muitos, já é uma realidade para muita gente. O termo surgiu de um brainstorming entre a editora americana líder em livros de computador, a O’Reilly e a MediaLive International. O Vice-presidente da O’Reilly, Dale Dougherty, percebeu que mesmo após o estouro da bolha, a web continuava forte e surgiam ainda mais novidades a cada dia. Ele percebeu também que as empresas que sobreviveram, tinham características em comum. Desta conversa surgiu o termo Web 2.0 e uma conferência para falar sobre o assunto, a Web 2.0 Conference (http://www.web2con.com/).
O encontro, já em sua segunda edição, aconteceu em outubro deste ano e reuniu empresas como Google, Yahoo!, Microsoft, Mozilla Foundation, AT&T e outras. Ele foi criado para discutir a Web atual e seus modelos de negócio. Neste ano foram discutidas quais inovações estão acontecendo e o que esperar para o próximo ano. Agora o que muitos questionam é se esta nova Web não é apenas um hype?
Todo mundo parece tentar definir o que é a Web 2.0 e não são poucas as tentativas. O próprio Tim O´Reilly resolveu escrever um artigo para explicar o que é a Web 2.0 (www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html). Ele estabelece sete princípios comuns a sites Web 2.0 que vão desde a Web ser usada como plataforma até Experiências Ricas de Usuário citando o bastante comentado AJAX.
AJAX significa Asynchronous JavaScript and XML. Ele não é uma tecnologia ou uma linguagem de programação, mas um conjunto de tecnologias que servem para criar aplicações ricas para Internet. Ele é baseado em XHTML e CSS para conteúdo e apresentação, DOM (Document Object Model) para apresentação dinâmica e interação, XMLHttpRequest para recuperação assíncrona de dados, XML e javascript para unir tudo. O segredo do AJAX é que ele não precisa atualizar a página ao consultar um dado no servidor. Tudo é feito de forma praticamente transparente para o usuário. As principais vantagens dele são: maior velocidade de resposta, não necessidade de plugin (o javascript deve estar ativado), menos requisições ao servidor e outras.

Mas afinal o que é Web 2.0

Não existe uma definição ao certo do que é a Web 2.0 e o que não é. Existe inclusive criticas de que tudo isto não passa de apenas uma palavra da moda. Mas a volta da valorização da Web e os milhões envolvidos em recentes compras reforçam esta nova fase. O grande risco citado por muitos e de vivermos um novo estouro da bolha da internet. No início da década de 2000 os projetos de internet estavam super valorizados e a conseqüência foi a perda de muito dinheiro investido. A experiência anterior deve ser levada em conta para não passarmos pelo mesmo problema. Para definir o que é a Web 2.0 podem ser citados vários pontos. O ponto principal para caracterizar esta nova fase é a Web como plataforma. Isto significa que as aplicações que antes você precisava ter instalado em sua máquina, podem rodar direto de browsers, bastando acessar o site da aplicação. As vantagens desta abordagem são inúmeras: utilização independente do sistema operacional, atualizações de versões de forma transparente, familiaridade do usuário com a Web, acesso aos seus dados de qualquer lugar e várias outras. A conseqüência disto é outro ponto da Web 2.0: está em eterna fase beta. O Google é especialista nisto, O Google News (news.google.com.br), o Google Groups (groups.google.com.br) e vários outros serviços da empresa estão em beta há muito tempo. Os sites Web 2.0 estão sempre evoluindo. Outros pontos são a web feita por pessoas, simplicidade, conteúdo é rei, relacionamento, colaboração… a lista não para. Outra característica não muito mencionada da Web 2.0 é a adoção aos padrões. A separação da apresentação do conteúdo e adoção dos padrões do W3C é cada vez uma realidade maior desta nova fase. Site construídos com códigos ‘font’, ‘table’ e tags não fechadas estão completamente fora da onda. CSS, XHTML, DOM e os Web Standards estão presentes em praticamente todos os sites da Web 2.0. A semântica volta a ter valor.

Empresas Web 2.0

A empresa referência desta nova fase é o Google. Desde que lançou o Gmail com uma interface diferente, não parou com a enxurrada de novidades a cada semana. Parece que a criatividade deles não tem fim. Recentemente se especulou que o Google lançaria um pacote de escritório semelhante ao office só que pela Internet. A especulação só fez aumentar com a parceria firmada com a Sun, empresa que desenvolve o OpenOffice. Já a Microsoft dessa vez não quis cometer o mesmo erro de quando não deu atenção a Internet e quando não se preocupou com as ferramentas de busca. Sem citar o termo Web 2.0, ela rapidamente anunciou novos serviços de software baseados na Internet: Windows Live e Microsoft Office Live. A estratégia Live tem a idéia é de combinar o poder de software e serviço. O carro chefe que já está disponível é o Live (Live.com), combinando busca, RSS e personalização. Você poderá conferir as novidades do Live no endereço: http://ideas.live.com/. O Yahoo!, com seus mais de dez anos, também não quer ficar atrás afinal, ela foi uma das empresas que fez parte da fase antiga e se renova a cada dia. Eles lançaram o My Web 2.0 (myweb2.search.yahoo.com), o Yahoo! 360º (360.yahoo.com), estão reformulando o webmail e compraram algumas empresas Web 2.0. Mas não é apenas de grandes empresa que é feita a Web 2.0. Vamos ver alguns deles para exemplificar.

Writely

O Writely (http://www.writely.com/) é editor de textos similar ao Microsoft Word ou Open Office Writer. A diferença é que ele funciona através do seu browser. O Writely é compatível com seus documentos no formato Word e Writer, bastando que você suba para o site os seus arquivos. Você pode também descer os arquivos editados pelo Writely podendo inclusive escolher entre o formato do Word, Writer, ou zipado. Ele até agora é totalmente gratuito e você pode experimentá-lo. Ele ainda não tem todos os recursos de um editor de textos, mas para o usuário básico que não usa os recursos avançados, ele atende perfeitamente além da vantagem de se editar documentos de qualquer lugar com internet. Ele tem outra vantagem em relação aos editores convencionais: permite a edição colaborativa do documento. Você pode convidar pessoas para editar os seus documentos e você é avisado na tela quando outra pessoa editou o documento. Ele funciona perfeitamente com o Internet Explorer e o Firefox, mas para o Opera e o Safári eles estão prometendo que assim que possível incluirão a compatibilidade.

Netvibes

O Netvibes (http://www.netvibes.com/) é um Mashup. O Mashup é quando um site combina o conteúdo de sites diferentes. Um exemplo de Mashup poderia se um site que combina o Google Maps com as fotos do Flickr Mostrando o local em que cada foto da sua viagem ao redor do mundo foi retirada. No caso do Netvibes, ele tem caixas de conteúdo. Nestas caixas existe diversos tipos de conteúdo como previsão do tempo, leitores RSS, ferramentas de busca, bloco de notas, conta do gmail, fotos do Flickr, documentos do Writely e muitas outras coisas. Tudo configurável. Você inclui o que gosta e exclui o que não quer. O que chama a atenção do Netvibes é a possibilidade de arrumar as caixas na tela, apenas clicando em seu título e arrastando pela tela. Mesmo que você não se cadastre, se você fechar o seu browser e acessar de novo, suas preferências estarão da mesma forma que você deixou. A vantagem de você ter personalizado em uma única página todas as suas informações principais é muito grande. O Yahoo! tem um serviço há bastante tempo com a mesma idéia que é o My Yahoo! (br.my.yahoo.com) só que sem os recursos da web 2.0 e a Microsoft já copiou a idéia para os seus serviços com o live.com (http://www.live.com/) e o Google também tem o sua home personalizada (www.google.com/ig).

Wikipedia

Outro conceito da Web 2.0 é a simplicidade. Qualquer pessoa sem conhecimento técnico pode produzir conteúdo. Não é necessário entender HTML, XHTML ou CSS para ter suas idéias publicadas na Web. Primeiro vieram os blogs, depois os wikis, que são documentos que podem ser editados através de browsers. É a Web feita por pessoas comuns. Foi isto que possibilitou a criação do projeto da Wikipedia (http://www.wikipedia.org/). Ela é uma enciclopédia colaborativa gratuita escrita por voluntários de diversos países e linguas. Atualmente existem artigos em mais de 200 linguas somando mais de dois milhões de artigos. Já tiveram mais de 90.000 colaboradores. Como em uma enciclopédia comum, você pode consultar informações, ver imagens e caso não tenha o assunto que você deseja, você pode incluí-lo. Claro que existem pessoas que podem colocar conteúdos errados ou incompletos, mas devido a grande quantidade de colaboradores interessados em ajudar, o tema é corrigido rápidamente.

del.icio.us

Como um site com uma url difícil, sem imagens e que em algumas partes tem fonte azul aplicada em um fundo rosa sem leitura pode fazer sucesso? Conheçam o del.icio.us (del.icio.us), um bookmark colaborativo pela Web. Além de gravar suas páginas favoritas, você pode ver os favoritos dos outros e os seus também ficam disponíveis para todos. Ao criar um favorito, você pode atribuir ao link, uma ou mais palavras associadas ao item. Estas palavras, ou tags, são definidas por você e facilitam a recuperação de um link bastando lembra uma palavra associada a ele. A possibilidade de cada pessoa poder estabelecer suas próprias tags, foi chamada de folksonomia (folk = pessoa). Diferente da taxonomia onde você precisa se enquadrar em um grupo, na folksonomia você escolhe o que você associa ao item. Por exemplo, na taxonomia, um cão poderia ser classificado como do grupo mamíferos, que é subgrupo de animais. Na folksonomia você pode ‘tagear’ como filhote, pet, cão, feioso e o que mais desejar. Estas tags são utilizados em diversos outros serviços como o Flickr, Como são várias pessoas que colocam favoritos, ainda existe uma área com os links recentes mais populares (del.icio.us/popular/). Lá você pode conferir as últimas novidades e ainda ver novidades específicas de uma tag que tenha interesse.

Flickr

O Flickr (http://www.flickr.com/) é um organizador de fotos online. Ele fez tanto sucesso que acabou sendo comprado pelo Yahoo! Depois da compra algumas funções receberam upgrade como o espaço total para as fotos. Os motivos do sucesso do Flickr são vários. Grande quantidade de espaço para fotos, facilidade ao subir vários arquivos, colocar descrições nas fotos… Você pode subir suas fotos inclusive pelo celular e criar o seu moblog. Ele possui um organizador e tem a capacidade de incluir tags para as fotos. Com ele você pode ainda enviar suas fotos para diversos sistemas de blogs como LiveJournal, Blogger, Moveable Type, Typepad e outros. Depois de configurado, você tem apenas que clicar em blogthis. Outra vantagem, é que se houve um evento como um casamento ou festa de fim de ano da empresa, você pode reunir a fotos que todos tiraram do evento. Ele tem suporte a RSS, facilitando não ter que avisar a família quando as fotos do batizado estiverem no ar.
Outros sites Web 2.0
A quantidade de sites que já fazem parte da Web 2.0 já é impressionante. Além dos que já vimos existem outros. Na área de calendários online tem o Kiko (http://www.kiko.com/), o CalendarHub (http://www.calendarhub.com/) e o Planzo (http://www.planzo.com/). Já na categoria Post-it online tem o Webnote (www.aypwip.org/webnote). Na área de aplicativos para escritório tem mais do que simplesmente o Writely. O FCKeditor (http://www.fckeditor.net/) é bem mais simples, mas tem outras vantagens como possiblidade de trocar skins, inserção de caixas de formulários e outros detalhes à mais. O Num Sum, (http://www.numsum.com/) é uma planilha eletrônica semelhante ao Excel. Nele você pode ainda criar planilhas temporárias, sem nem precisar se logar, se quiser apenas um cálculo rápido. O gOffice (http://www.goffice.com/) e o ThinkFree Office Online (online.thinkfree.com) são promessas de pacote de escritório online completo. Você pode inclusive editar uma foto pela Web como faria com o photoshop. O PXN8 (http://www.pxn8.com/) permite que você suba uma foto, selecione áreas, aplique efeitos e redimensione a imagem e salve o resultado. Existe até a idéia de ter um sistema operacional inteiro que rode pela Web. O nome dele é eyeOS (http://www.eyeos.org/). Também tem a promessa do Fluxiom (http://www.fluxiom.com/). Ele tem o objetivo de gerenciar arquivos online tal como você faz com o Explorer. Como ele é possivel subir e baixar arquivos, compartilhá-los, buscar e ver miniaturas além de suportar mais de 100 formatos de arquivo diferentes. Só lembrando que ele ainda está em construção e sem data prevista para o lançamento.
E o que mais?
A Web 2.0 vem acontecendo há algum tempo impulsionada por coisas como os blogs, os feeds RSS, os screencasts, podcasts, redes de relacionamento e wikis. Ela é resultado da experiência de quem passou pela primeira fase e uma nova geração que não tem medo de errar e de criar coisas novas. O mercado está mudando e quem está nele precisa se adaptar e entender este novo processo. A Web ainda nem chegou a sua maioridade, portanto, mais mudanças ainda estão por vir. Basta que você esteja preparado.