Em 2005, o dicionário Oxford elegeu a palavra do ano: “podcast”. O termo surgiu com a popularização do iPod, o mais famoso e desejado player de música. Hoje já temos o iPod vídeo e outro termo começa a despontar. É o screencast. Segundo o Wikipedia, o screencast é a gravação digital de uma tela de computador, podendo conter áudio como narração. Em resumo, ele é um filme de um monitor. A ação de fazer um screencast é o screencasting. Você encontra normalmente as duas referências quando se fala sobre o assunto.

O termo foi criado por Jon Udell em 2004, mas o screencast já existe há bastante tempo. Já foi muito comum o uso do Lotus ScreenCam para criação de tutoriais de programas. O que mudou é que com a popularização da internet e da banda larga, mais pessoas conseguem baixar arquivos maiores, como os gerados em screencasts. Outra diferença é que existem mais ferramentas para produzi-los e com melhores recursos como maior compressão e mais possibilidades de edição.

Tipos de screencast

Hoje em dia existem vários tipos de screencast. Quanto a forma de divulgação temos várias opções como internet, intranet, CD-ROM, DVD e outros. Os arquivos criados também podem ser nos formatos de vídeo (AVI, WMV, MOV), Flash (SWF) e executáveis (EXE).. Já para a utilidade do screencast, vamos ver algumas.

Mostrar os recursos de um software

Você quer demonstrar o funcionamento de um software, ou fazer um preview dele? O sceencast é a ferramenta certa. Excelente também para a empresa que quer lançar um software e fazer sua apresentação. Ao criá-lo, você poderá focar nas vantagens e diferenciais que ele possui e explicar como executá-los. Serve até para reportar um bug do software.

Tutorial ou treinamento

Se você quer ensinar a sua equipe como executar alguma tarefa ou publicar um passo-a-passo daquele efeito de photoshop, o screencast pode ser a solução. E a utilização mais comum do screencast atualmente. Ele funciona quase como uma aula prática já que os resultados aparecem na tela. Graças a isto, ele passou a ser usado como apoio ao e-learning como uma ferramenta poderosa.

Análise de software ou site

O screencast também pode ser usado em testes de usabilidade, análise de programas, ou até para comparar diferentes programas ou interfaces. A principal vantagem é que diferente de uma apresentação, todo grupo envolvido pode rever a análise a qualquer momento ou distribuir para quem não participou. Além de possibilitar que pessoas que entraram nas ações depois de iniciadas, possam entender também o que foi analisado e a proposto.

Limite da imaginação

Com o screencast o limite é a sua imaginação. Você pode fazer um filme, mostrar um dia de trabalho do seu desktop, mostrar como desenhar, fazer uma entrevista, criar vídeos de apoio no suporte à usuário (helpdesk) ou o que você quiser. Basta conhecer as ferramentas e uma ter uma idéia na cabeça.

Ferramentas

Existem várias ferramentas para fazer screencast. O principal problema delas é o preço. O custo dessas maravilhas fica proibitivo para usuários comuns, mas você ainda pode usar as versões de avaliação de muitos deles. Existem até opções gratuitas que veremos mais a frente.

Camtasia Studio

Disparada a ferramenta mais elogiada para criação de screencasts. O Camtasia Studio (www.techsmith.com/products/studio/default.asp) está na versão três. Ele possui diferenciais como o picture-in-picture, onde você pode aparecer em um canto da tela fazendo a apresentação. Outra vantagem é que ele pode ser integrado com o PowerPoint. Você pode inclusive juntar diferentes vídeos em um único arquivo final ou adicionar uma segunda narração. Ele tem também um recurso interessante de zoom, onde você pode focar em uma determinada parte da dela e depois voltar à tela toda. A principal desvantagem é o preço: US $299,00. Mas você pode baixar no site uma versão trial de 30 dias.

BB FlashBack Express

Versão com menos recursos do que o BB FlashBack como a edição do vídeo, mas com a vantagem de custar apenas US$ 39,00. Como o Camtasia Studio, pode exportar vídeos nos formatos AVI e Flash. A versão BB FlashBack também exporta EXE, WMV e o formato PowerPoint, mas seu custo de US $199,00 sem suporte e de US $329,00 com suporte, coloca ele atrás do Camtasia. Se o seu objetivo for apenas exportar rapidamente seus screencasts com narração, o Express é uma boa pedida.

Wink

A maior vantagem deste aqui é o preço: grátis. Outra vantagem é que ele também roda no Linux. A principal diferença para os seus concorrentes é que ao invés de criar vídeos comprimidos, ele tira screenshots e registra os movimentos do mouse. Com isto é possível criar um arquivo final muito menor. Ele tem recursos de navegação, de caixas de texto como balões e suporte a drag-n-drop. Tem outra vantagem que é o suporte à português do Brasil. A pior diferença é que não suporta áudio, o que significa que seu screencast não terá narração. Outro detalhe é que não é possível exportar em formatos de vídeo como AVI e WMV. Se você quer vídeo com narração e não quer ter custos, temos outra opção.

Windows Media Encoder

Outra opção gratuita para quem tem Windows é baixar o Codificador do Windows Media 9. Com ele, além de transmitir ao vivo eventos, capturar vídeo ou áudio de dispositivos, você pode montar o seu screencast e incluir a narração. A desvantagem é que ele gera os vídeos apenas nos formatos padrão da Microsoft, mas em compensação os arquivo gerados são pequenos.

Outras Opções

Existem ainda várias outras opções como Macromedia Captivate e o Qarbon ViewletCam que ficam na faixa profissional com preço mais alto. Tem também o Snapz Pro X e o Movie Grab para usuários de Mac OS, o DemoRecorder e o Istanbul para Linux e outros produtos Open Source como o CamStudio, o vnc2swf e o Xvidcap. Com tantas opções, você só tem que escolher a que atende melhor a sua necessidade.

Como fazer o screencast

Agora que você já sabe a ferramenta certa para o seu screencast, vamos ver o que é preciso antes de começar a mão na massa. O primeiro passo é definir o objetivo. Se você vai fazer um tutorial, comece vendo se todos os passos dele estão corretos. Veja também quais comentários serão interessantes e em que momento. Leve em conta o público que vai ver o resultado. Se for um muito especializado, não fique explicando o básico. Pense também no formato do screencast. Se for para exibir em um browser, veja que formato ficará melhor e qual o tamanho adequado. Tudo depende o público.

Outro passo é definir que área da tela você vai gravar. Levando em conta que a maior parte das pessoas ainda usa 800 por 600, evite montar o trabalho em 1024 por 768. Outro ponto é quando gravar a tela inteira, uma janela ou uma região da tela. Se você for demonstrar um site, considere se não vale a pena registrar apenas o conteúdo da página e deixar de fora os menus e ícones do navegador. Já se for uma demonstração de um programa, não é necessário gravar a barra de tarefas, apenas a janela do programa. Também não esqueça de desligar protetores de tela, mensageiros instantâneos e sons do sistema. Dê preferencia rode apenas o programa de captura e o que você quer gravar.

Quanto a narração, antes mesmo de começar, tenha um resumo do que você vai falar. O improviso pode levá-lo a ficar sem ter o que dizer, gaguejar e até ficar no ‘ehhhhhhh’, ‘bemmmmm’, ‘ahhhhhhh’… Não esqueça também de falar claro e devagar, afinal você quer que a pessoa entenda perfeitamente o que foi dito. Não é uma narração de corrida de cavalos. Uma sugestão é colocar uma música suave de fundo. Na dúvida, deixe só a narração. Se for possível, coloque também o que você está narrando em caixas de texto como legendas, a acessibilidade agradece.

Outro ponto é o tamanho do vídeo. Se você não está concorrendo ao Oscar com o seu screencast, prefira dividí-lo em partes se ele ficar grande. Nem todo mundo gosta de fica 30 minutos assistindo a screencasts. Procure criar arquivos curtos de no máximo 10 minutos. A vantagem é que a pessoa não precisa baixar tudo se o assunto não interessar e ainda economiza a banda utilizada.

Depois de bem definido tudo o que você vai fazer é a hora de começar o screencast. Boa sorte. Não esqueça também de testar o resultado final. Mostre para os amigos e veja a opnião deles. É mais fácil quem está de fora ver o que é para acertar.
Sites e recursos
Agora que você já tem o seu screencast você pode publicá-lo no seu blog ou site. Além disto existem sites que você pode compartilhar o seu screencast e ver o de outras pessoas. Claro que a maior parte você vai encontrar em inglês. Se o formato for vídeo, existem vários sites que hospedam vídeos como o próprio Google Video(video.google.com). No Myscreencast (myscreencast.com/forums) já existem diversos screencasts e você pode divulgar o seu. O ScreenCastOnline (http://www.screencastsonline.com/) também tem é um depósito de screncasts. A tendencia é que surjam mais sites deste tipo, assim como existem vários sites de podcasts. E você? Já fez o seu screencast?