palestra


Fui a todas as edições do evento que já era bom melhorar mais ainda. O Fábio Seixas e o Cris Dias vão também. E você?

O primeiro a falar no Simpósio de Cultura Digital Trash foi André Lemos da UFBA, que situou o Trash e o Lixo falando que o Trash é a estilização dos objetos e o lixo está ligado a produção e consumo onde ele é descartável ou menos importante. Falou da Cultura Massiva onde você consumia mais lixo dos outros que produzia e da Cultura Eletrônica onde você pode produzir seu lixo. – Excesso informacional que vivemos hoje é o lixo da cultura. Seguem alguns pontos relatados

  • A TV é lixo por excelência
  • Pode-se produzir qualquer informação, sobre qualquer suporte, em qualquer formato, sem o crivo de um editor – liberação do pólo de emissão (“Olhares sobre a cibercultura”)
  • Três princípios encarnam a lógica do faça você mesmo:
  1. Emissão generalizada: ‘faça você mesmo’; distribua informação; maior desafio do mercado brasileiro, já que ele não é produtor de tecnologia, é produzir conteúdo; produção de conteúdo é política brasileira;
  2. Conexão: não produzir só para si, mas publicar, compartilhar, circular;
  3. Reconfiguração: pensar não na substituição de uma coisa por outra, não se rata de aniquilação, mas de reconfiguração.
  • Um bom exemplo do funcionamento dessa lógica é o YouTube, que foi vendido para o Google por U$ 1.6 bi6 milhões.
  • Meios de Massa: só serve para informar
  • Os meios pós-massivos, eletrônicos, não trocam apenas informações, trocam consciências engajadas, idéias e ideais. Na internet a democracia no uso do espaço é total: você tem desde grupos nazistas panfletando suas teorias radicais, até grupos religiosos fazendo proselitismo.
  • Ficção Ciberpunk fala do presente, de sexo, violência… Hoje existem lans em favelas que ajudam a resgatar laços sociais (Neuromancer/ Blade Runner)
  • Blogs: qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa. É criado um blog por segundo no mundo.
  • Blogsfera: circulação de links sobre os blogs, espaço para comentários
  • Softwares livres: orkut, myspace; as pessoas alteram o código, podemos mexer na configuração do software
  • Jornalismo cidadão existe? Uma pessoa que não tem formação em jornalismo pode produzir um blog jornalístico? O blog pode ser jornalístico?
  • Podcast: qualquer pessoa pode produzir e divulgar. Ex.: percursos alternativos do Moma. Professores universitários traçam caminhos alternativos e gravam em podcast. As pessoas que vão visitar, podem baixar o podcast para o Mp3 e reproduzir o caminho sugerido pelos professores.

– Três considerações:
1) Apropriação Social: sociologia do uso, da técnica e simbólica – como se o uso transformasse a finalidade e a atuação dos meios
2) Desvio: o desviante não é uma patologia. Ex.: hackers que chamam os crackers de desviantes e são desviantes ao mesmo tempo, embora não se considerem como tal.
3) Excesso: ‘Parte Maldita’ (Batai) – a sociedade acostumou a armazenar dinheiro, comida, se constituiu baseada no excesso.

Fechou falando que fazer sites é como jardinagem: tem que cuidar e regar todos os dias e que lixo é a entropia (conceito físico sobre a acumulação de energia no universo), a energia perdida.